No domingo (25), durante a realização de uma manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), 89 pessoas foram atingidas por um raio. Dessas, 47 foram encaminhadas para hospitais de Brasília. Quatro permaneceram internadas em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).
Uma mulher que participava do ato e também foi atingida pelo raio precisou ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo informações do UOL, ela deu entrada na madrugada desta segunda-feira (26) no Hospital Santa Marta. Inicialmente, a vítima havia sido internada no Hospital Regional da Asa Norte.
O hospital não informou o estado de saúde da paciente, mas afirmou que ela está sob acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e “recebendo a assistência necessária para o tratamento”.
Novo vídeo mostra raio atingindo bolsonaristas junto a guindaste em ato de Nikolas
Um novo vídeo divulgado nesta segunda-feira (26) nas redes sociais mostra um novo ângulo do momento em que um raio atingiu bolsonaristas que estavam próximos a um caminhão com guindaste durante a manifestação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) neste último domingo (26) em Brasília.
As novas imagens mostram manifestantes no ato para pedir a soltura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em meio à forte chuva. De repente, o raio cai.
Diferentemente dos vídeos anteriores já divulgados, o material não registra pessoas caindo ou precisando de atendimento, mas sim a proximidade do raio. A imagem ainda mostra o guindaste, que serviu como uma espécie de para-raios e atraiu a descarga elétrica.
O saldo de feridos
Foram dezenas de feridos, 89 no total. Ao menos 47 participantes precisaram ser encaminhados aos hospitais de Brasília, de acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBDF). Onze deles seguem internados em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Outros feridos foram levados ao Hospital de Base e ao próprio HRAN, enquanto dezenas receberam atendimento ainda no local. Até a publicação desta matéria, não há registro de mortes.
A descarga elétrica ocorreu por volta das 12h50, em meio a uma chuva torrencial, cerca de uma hora antes da chegada de Nikolas Ferreira ao local do ato final, acompanhado por cerca de 400 apoiadores mais próximos. Ainda assim, o evento foi levado adiante pelos organizadores, apesar das condições climáticas extremas e do evidente risco à integridade física dos participantes.
Brasília amanheceu sob alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que previa volumes elevados de chuva, rajadas de vento de até 100 km/h e possibilidade de incidência de raios ao longo de todo o dia. O aviso incluía ainda riscos de alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.
No momento do impacto do raio, manifestantes estavam aglomerados e tentavam se proteger da tempestade. Parte dos feridos se encontrava próxima a uma grade metálica instalada para separar o público dos políticos, estrutura que cercava quase toda a praça onde Nikolas discursaria. A queda da descarga elétrica provocou correria, pessoas desorientadas e risco de pisoteamento. Guarda-chuvas, capas de chuva e objetos pessoais ficaram espalhados pelo chão após o episódio.
A caminhada liderada por Nikolas Ferreira partiu de Paracatu (MG) e percorreu cerca de 255 quilômetros até a capital federal e tinha como objetivo protestar contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ação na PF
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que irá apresentar uma representação à Polícia Federal para que sejam apuradas as responsabilidades do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e dos organizadores da chamada “caminhada pela liberdade”, realizada neste domingo (25), em Brasília. A manifestação terminou em tragédia após um raio atingir o local do ato, deixando dezenas de feridos e ao menos oito pessoas em estado grave.
Segundo postagem de Lindbergh no X, do início ao fim, a mobilização foi marcada pela “irresponsabilidade”. Ele acusa Nikolas de ter iniciado a marcha pela BR-040 sem qualquer comunicação prévia à Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao DNIT ou a outras autoridades competentes, o que teria provocado interdições na via e colocado em risco a vida de manifestantes e motoristas. Relatos apontam, inclusive, para o pouso de um helicóptero às margens da estrada durante o trajeto.
“No encerramento, repetiu-se o descaso. Mesmo com tempestade forte em Brasília, os organizadores não dispersaram o ato. Resultado: um mastro improvisado virou para-raios, mais de 30 pessoas foram parar no hospital, oito em estado grave, e Nikolas fez um discurso confuso, sem uma palavra de solidariedade às vítimas”, declarou o deputado petista.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, a descarga elétrica caiu em meio à concentração de apoiadores nas proximidades da Praça do Cruzeiro, ponto final da manifestação. Houve pânico e correria. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento exato em que o raio atinge a área onde os manifestantes estavam reunidos, com várias pessoas caindo ao chão logo após a descarga elétrica.
Mesmo após o incidente, a manifestação não foi dispersada. Nikolas Ferreira chegou ao local depois da ocorrência e manteve a realização do ato, fazendo um discurso em que atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, afirmou que “é só o começo” e encerrou com uma oração contra a corrupção.
Para Lindbergh, a postura do deputado evidencia a tentativa de usar o ato como cortina de fumaça diante de denúncias recentes. Ele cita o escândalo envolvendo o Banco Master, com o empresário Daniel Vorcaro no centro das investigações, além de conexões com Fabiano Zettel, a Igreja da Lagoinha e o próprio Nikolas Ferreira.
“A liberdade de expressão e de manifestação política não autoriza colocar vidas em risco”, afirmou Lindbergh. Segundo ele, além da representação à Polícia Federal, a resposta política virá nas ruas, com mobilizações no período do pré-carnaval contra a anistia aos golpistas, em defesa do veto presidencial ao PL da Dosimetria e pelo fim da escala de trabalho 6×1.