Mesmo sob alerta meteorológico para chuvas intensas e risco de descargas elétricas, a manifestação bolsonarista foi mantida e resultou em 89 pessoas atendidas por equipes de resgate após a queda de um raio nas imediações da Praça do Cruzeiro.
Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, ao menos 47 participantes precisaram ser encaminhados a hospitais. Onze deles seguem internados em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Outros feridos foram levados ao Hospital de Base e ao próprio HRAN, enquanto dezenas receberam atendimento ainda no local. Até o a publicação desta matéria, não havia registro de mortes.
A descarga elétrica ocorreu por volta das 12h50, em meio a uma chuva torrencial, cerca de uma hora antes da chegada de Nikolas Ferreira ao local do ato final, acompanhado por cerca de 400 apoiadores mais próximos. Ainda assim, o evento foi levado adiante pelos organizadores, apesar das condições climáticas extremas e do evidente risco à integridade física dos participantes.
Brasília amanheceu sob alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que previa volumes elevados de chuva, rajadas de vento de até 100 km/h e possibilidade de incidência de raios ao longo de todo o dia. O aviso incluía ainda riscos de alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.
No momento do impacto do raio, manifestantes estavam aglomerados e tentavam se proteger da tempestade. Parte dos feridos se encontrava próxima a uma grade metálica instalada para separar o público dos políticos, estrutura que cercava quase toda a praça onde Nikolas discursaria. A queda da descarga elétrica provocou correria, pessoas desorientadas e risco de pisoteamento. Guarda-chuvas, capas de chuva e objetos pessoais ficaram espalhados pelo chão após o episódio.
A caminhada liderada por Nikolas Ferreira partiu de Paracatu (MG) e percorreu cerca de 255 quilômetros até a capital federal e tinha como objetivo protestar contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Líder do PT, Lindbergh Farias vai entrar com ação pedindo investigação sobre a responsabilidade de Nikolas no caso.
Segundo publicação de Lindbergh no X, do início ao fim, a mobilização foi marcada pela “irresponsabilidade”. Ele acusa Nikolas de ter iniciado a marcha pela BR-040 sem qualquer comunicação prévia à Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao DNIT ou a outras autoridades competentes, o que teria provocado interdições na via e colocado em risco a vida de manifestantes e motoristas. Relatos apontam, inclusive, para o pouso de um helicóptero às margens da estrada durante o trajeto.
Para Lindbergh, a postura do deputado evidencia a tentativa de usar o ato como cortina de fumaça diante de denúncias recentes. Ele cita o escândalo envolvendo o Banco Master, com o empresário Daniel Vorcaro no centro das investigações, além de conexões com Fabiano Zettel, a Igreja da Lagoinha e o próprio Nikolas Ferreira.
“A liberdade de expressão e de manifestação política não autoriza colocar vidas em risco”, afirmou Lindbergh. Segundo ele, além da representação à Polícia Federal, a resposta política virá nas ruas, com mobilizações no período do pré-carnaval contra a anistia aos golpistas, em defesa do veto presidencial ao PL da Dosimetria e pelo fim da escala de trabalho 6×1.
Revista Fórum